quinta-feira, janeiro 20

Incoerências da modernidade


Sem querer, o post dessa semana (que foi escrito, na realidade, semana passada), faz algum tipo de complemento ao post do Fábio, embora seja parte dos meus devaneios também.

Em tempos de Campus Party, a tecnologia e todas as suas maravilhas modernas estão em alta, mais do que normalmente. No entanto, como bem sabemos, é necessário um tipo combustível para fazer os novos leviatãs criarem vida própria. A tal da energia elétrica. Você já parou pra pensar como somos dependentes dela? Não só porque ela faz funcionar grande parte dos equipamentos que nos rodeiam, mas porque, sem ela simplesmente ficamos perdidos como barata tonta. Eu sei que o que vou contar agora já aconteceu com muita gente.



Naquela segunda-feira, por volta das 22h, tenho certeza que uns 80% dos televisores do país estavam ligados na rede Globo. O motivo era muito simples: ultima semana de Passione. E, claro, eu não fui exceção. O problema foi que, além de serem os tais capítulos finais, nos quais todas os mistérios seriam resolvidos, também foi o dia que São Pedro resolveu nos zuar e abrir as torneiras. Resultado: ÓBVIO que São Paulo virou o caos! (na minha imaginação aconteceu algo mais ou menos assim). Logo, no ponto auge do episódio, quando a Clara foi presa, a luz acabou. Terá sido Lady Murphy?

E, só para me deixar mais revoltada, pra variar, o prédio da frente tinha luz (como SEMPRE aconteceu comigo nesses 20 anos de vida, só o gerador da minha região explode/cai/ets abduzem/ buraco negro engole).

Primeira reação? “FIIIIIIIIIIIILHO DAAAAAAAAAAA *PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII*!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”.

Segunda reação? Saquei o celular e xinguei muito no twitter. Literalmente. Santa Internet móvel. Depois abri o MSN móvel e por lá fiquei. Assim, sob luz de velas. Aquela cena não era novidade pra mim mesmo.

Já minha mãe, como toda pessoa normal, reclamou um pouco e ficou me olhando com cara de “converse comigo”. Eu não notei porque estava ocupada demais surtando com a falta de energia, ligando para a Bandeirantes, para o Procon, para o Google, Steve Jobs, o Google, alguém que pudesse me salvar. Até que um travesseiro voou na minha cara e eu cai na real, de que não estava sozinha e nem estava tão escuro assim (já que tínhamos velas, a luz da lua e holofote aceso do prédio da frente que me impede de dormir com a janela aberta todos os dias). Mesmo assim, depois que ela foi dormir, voltei ao meu status de tédio-mortal-semi-viva-jogando-NDS, em meio ao silêncio, até às 5h da manhã.

Foi quando as luzes acenderam, a tv ligou no mesmo volume com o qual tinha sido esquecida, o micro-ondas e o nobreak apitaram loucamente.

Ah, finalmente paz.

Desliguei o vídeo-game e fui dormir.

Não é estranho? O silêncio, o escuro. Todos os dias reclamamos que precisamos de paz, calmaria e tranquilidade, mas quando os próprios deslizes humanos nos proporcionam esses (raros) momentos, não sabemos o que fazer, ficamos perdidos, meio tontos.

Parando para pensar agora, aquela sensação de tédio que me invadiu foi tão grande quanto fico na frente do computador, olhando pra tela sem movimento algum, sem nada para fazer. O engraçado é que, na maioria das vezes que sento aqui para estudar, escrever algo, minha mente voa para longe, querendo ficar em paz, silêncio e tranquilidade. Ah, as incoerências da modernidade....eu já vi isso antes:


Apagão 2009: eu fui!

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5 comentários:

Hisa disse...

Bons tempos quando acabava a luz e se improvisavam coisas pra fazer a luz de velas! Sempre foi tão mais divertido! ^^

Eric Hayashi disse...

Ruim com ela, pior sem ela. Fazer o que? =/

Fábio Naito disse...

No dia do blecaute de 2009 escrevi isso. Acho que se encaixa na sua linha de pensamento heuehueheu pelo menos consegui minha terceira colocação no concurso de poema da faculdade com isso XD~~

Blecaute

Queda de energia.
De início sinto-me perdido no nada. Não há para onde ir.
Com o tempo a visão e o corpo se acostumam com a escuridão.

Jantar a luz de velas.
Já percebeu como é calmo quando acaba essa corrente energética?
Sinto-me mais tranquilo.
Não me recordo da última vez em que saboreei
Uma berinjela cozida ao missô.

Percebe como nosso olhar ganha um foco?
Vejo detalhes que antes não via.
O relógio que comanda agora é o biológico.
Durmo se estiver com sono.

Agora percebo como uma simples corrente elétrica comanda a gente.
Quanto mais energia elétrica,
Mais energia humana é tomada de empréstimo para
A realização multitarefada de cada segundo que se passa.

Temos que cumprir metas, não objetivos.
Viver do excesso, não do ideal.

Enquanto isso degusto essa magnífica berinjela cozida ao missô.

Satie-chan disse...

Bom, quando acabava a luz eu costumava jogar jogo da vida com meu pai e fazer escultura com cera de vela. xP
Agora é só ligar o DS u ficar ouvindo música no celular...
Engraçado, mas acho que eu ficava mais feliz antes.
Excelente post, Paula! =)

Wood disse...

Sempre temos essa incongruência o.o
Gente gorda quer ser magra, gente magra quer ser gorda (meu irmão é esquelético e quer ser gordo), quem tem cabelo liso quer ter enrolado (minha mãe \o), etc etc etc. E sempre pensamos: "poxa, temos que valorizar as coisas da natureza" e quando acaba a energia ou a internet cai ou a televisão pifa...causamos =D Eu sempre quero ler, aí penso: "droga, se tivesse mais tempo, se não tivesse internet, se não tivesse blablabla", e quando a internet cai, quem disse que eu vou ler?

Se entrássemos nesse assunto com mais particularidade, chegaríamos em temas da psicologia, antropologia, entre outros x) E no fim das contas, somos SUPER previsíveis. E a tendência é que nos afastemos mais por causa da modernidade. Antes nos uníamos no blecaute, hoje, como a menina do post aqui em cima disse, ligamos o DS, ligamos o IPOD, ligamos o Notebook que já estava carregado, e deixamos nossos pais na sala. Como somos chatos =P

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