quarta-feira, janeiro 19

Oh yeah, oh yeah baby!


Olá todo mundo!

Hoje é a vez das meninas falarem sobre o tema proposto pelos meninos: pornografia.






Paula: Eu sei que pode parecer muito estranho, mas eu gostei bastante do tema. E não, antes que vocês pensem “haha safadjeeeeeeeeeeenha!!!!”, devo dizer que estou tentando pensar em tudo MENOS do sentido pervertido da coisa, pois ele é sempre o primeiro que nos vêm à mente. O que eu propus à Kemi e agora a vocês, leitores, é uma reflexão para além do âmbito “obvio” da coisa, tentando olhar a pornografia de formas diferentes (embora eu não tenha a menor noção de quantas vão surgir).

Antes de mais nada, queria dizer que eu tenho algumas opiniões muito fortes a respeito do tema e, em 99,9% dos casos, quase ninguém concorda comigo (inclusive mulheres!). Além disso, como não sei ser sucinta, selecionei apenas um ponto e não desenvolvi muito, para não ficar muito extenso.

Para começar é preciso lembrar duas coisas: 1) pornografia existe desde antes do mundo ser mundo. 2) o conceito de (isto é, o que se entende por) pornografia varia muito de lugar para lugar, principalmente se pensarmos no oriente e no ocidente. A nossa diferenciação entre erotismo e pornografia em lugares do oriente, por exemplo, não faz o menor sentido. É por isso que muitas exposições sobre sexualidade você pode ver um vaso grego com alguma pintura descrita como ‘erótica’ e um prato chinês descrito como ‘pornográfico’. Eu não vou entrar nos mínimos detalhes aqui (quem quiser, posso indicar um monte de coisa pra ler *-*), mas é só pra lembrar que os conceitos mudam de lugar pra lugar, pessoas pra pessoas, tempos pra tempos. Ossos do ofício de uma historiadora.

Vamos falar da parte boa: SIIIIIIIIIIM!!! Pornografia É necessário para a sobrevivência do homem. Embora o prazer sexual seja um tabu (daqueles bem pesados de se enfrentar) para muitas pessoas, não há como negar que esse desejo (? – Posso classificar assim?) faz parte da nossa vida. A sexualidade é algo que faz parte de nós e reprimi-la pode causar muitos transtornos. Acredito que muitas vezes as pessoas cometem coisas absurdas (como estuprar crianças) tanto por algum tipo de patologia quanto por uma repressão sexual (seja pelo motivo que for). É CLARO que eu não estou aqui pra defender ou amenizar pedófilo nenhum, muito pelo contrário. Só acho que se isso não fosse algo tão difícil de ser encarado, se todos tivessem seu tempo e sua individualidade respeitada, muita barbaridade poderia ser evitada.

No entanto, é preciso relativizar o que a pornografia quer nos passar. Será que são mesmo só os estímulos para o prazer que está em jogo? Só há o interesse no acúmulo do lucro pelas diversas empresas especializadas no ramo?

Acho que não, tem muito mais. Para mim, existe uma espécie de “discurso velado” – nem tão velado assim – nessa indústria. A falsa-idéia de “democracia” que ela traz, uma vez que temos pornografia heterossexual, homossexual e todos os tipos de fetiches para todos os gostos, faz parecer que tá “tudo bem”, todo mundo tem o que lhe interessa e final de papo, vamos pro cinco contra um!

Tudo bem, é verdade que a maior parte dos consumidores desses produtos são homens, mas isso não quer dizer que mulheres também não consumam. Se fomos parar pra analisar friamente as cenas na nossa frente, temos ali um personagem dominador (que normalmente representa o “macho”, o viril, o forte, exatamente aquilo que os gregos já diziam que o homem devia ser) e um que é dominado (representado como frágil, travestido de feminino e delicado, que apenas recebe – ainda que tenha seu papel no sexo – o dominador), seguindo o já consagrado discurso machista hierárquico. A relação sexual (e aqui eu incluo os filmes lésbicos) se torna mais um âmbito no qual as relações de poder se dão (aconselho ler os volumes da “História da Sexualidade” do Michel Foucault para entender melhor).

Não QUERO e nem VOU começar um discurso feminista aqui (até porque eu não sei se posso ser considerada uma o.O). Tão pouco vou crucificar a pornografia por colocar nos atores essa representação (na minha visão, repito) de dominado e dominador. Não estou falando pra queimarmos tudo e acabarcomessemalnaTerra,amém! Nada disso. Só acredito que essa é uma chance de pararmos e refletimos sobre o tema, para tiramos da pornografia a visão de óbvio, de algo dado e natural, como se sempre foi assim, com os mesmos personagens e finalidades. Agora, quando você vai fazer isso, antes ou depois...bom, aí já não é comigo xD.

Agatha: Aquí entra minha opinião como garota que admira muito não a pornografia em sua atual conotação vulgar mas ela como sendo a arte de apreciação da beleza do corpo e a todos os prazeres da vida. Mas isso é uma visão um pouco sonhadora de uma historiadora da arte.

Gostaria de levantar três pontos que me vem a cabeça quando penso em pornografia.

Primeiro, a questão feminista. Sim, é verdade que vemos nos filmes pormos, nas revistas de nu e até na erotização das fotos caseiras uma manifestação da cultura machista escravizadora em que vivemos, e sim é verdade que a mulher não só nesses casos é subjugada a função de objeto e sei de como ainda há a diferença de sexos em todas as áreas da vida, mas, deixando um pouco minha vontade libertária feminina e colocando em vista apenas o que a pornografia quer nos passar realmente, acho que, sendo a procura da pornografia algo natural é também natural a exploração maior do corpo feminino logo que estímulos visuais são mais procurados por homens.

Segundo ponto, o fator tabu da pornografia. Acho que não é compatível com nossos instintos trata-la como um assunto tão proibido, isso foi apenas estipulado ao longo de anos de pressão religiosa e tradições repressivas. Podemos ver em culturas milenares o culto ao sexo de maneira expressiva e desavergonhada mas após a determinação do tal enquanto fonte de prazer um dos maiores pecados, toda a forma de sua apreciação passou a ser tratada como igualmente suja, e vemos o reflexo disso até hoje, pois mesmo que a sociedade moderna sendo relativamente mais liberal uma a cultura pornô ainda se mantem como quase marginal e nisso ela acaba agregando todo o resto do que está escondido no inconsciente ficando mais e mais promiscua.

Terceiro fator, e acho que é um dos motivos desse assunto ter sido o escolhido é a raridade que vemos (ou víamos) meninas falando ou procurando sobre isso. Nesse caso, junto os dois outros tópicos para a resposta obvia, a represália machista conservadora levou as mulheres a crerem que buscar seu prazer era errado assim como assumir que gosta de sexo.

Resumindo, é tudo culpa da sociedade. Pornografia, excluiremos aqui a pedofilia que é apensa monstruosidade, é natural e não deveria ser encarada com tanto preconceito. Não gostaria de entrar no tema de exposição profissional ou gratuita feminina do ponto de vista das próprias mulheres, acho que é para uma outra oportunidade.

Mas tenho uma pergunta como leiga e garota inocente: Muitas pessoas usam os filmes pornôs, por exemplo, para aliviar sua "tensão sexual", mas, diante de tantos estímulos visuais ela não acaba aumentando e gerando ainda maiores vontades reprimidas?
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2 comentários:

Satie-chan disse...

Tema interessante. E difícil, acho que nunca tinha visto ou procurado, de achar opiniões femininas por aí - com exceção de sexólogas.
Pornografia, como arte e representação do corpo, é tão natural como qualquer outro momento da vida; concordo que é a sociedade que deu os valores errados ao ato sexual ou qualquer coisa que se relacione a ele. Mas é difícil quebrar tabus e visões, só posso esperar que o tempo conduza o mundo com outros ventos.
Claro, respeitando os limites de exposição conforme faixa etária, se possível (e eu não ter que fazer mais nenhum parto de meninas de 13 anos o.o). Cada coisa tem seu tempo (ainda acho que deviam pegar menos pesado na exposição pela mídia pública, MAS vou ficar um pouco quieta em relação a isso que estou fugindo do foco de vocês!).
Excelente post! Beijos!

Eric Hayashi disse...

Satie, só lembrando que você pode comentar o que você realmente acha! Não esquenta com relação a foco! ^^

Mas essa questão do Tabu, OK, a sociedade a "impoem" e tudo mais, mas mesmo que agora as coisas estão mudando e sabemos que já temos uma certa liberdade, ainda é comum esse Tabu. Acho que é algo muito mais pessoal do que da sociedade.

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